Tuesday, January 22, 2008

O surto

Já faz um tempo que tenho comentado aqui meu conflito interno para deixar de ser caretão e certinho. Apesar do bom-humor e sarcasmo sempre afiados, quem conhece o véio de perto sabe que esse lado porra-louca existe devido a um desvio de personalidade - o Humorildo de Souza. Não que eu faça sexo de meia ou durma de pijama, mas geralmente planejo muito e só bato o martelo depois de pensar sobre o assunto, qualquer que seja o dito cujo.

Pois bem, como vinha dizendo, estou aos poucos deixando meu evil twin tomar conta das coisas. Não que tenha vontade de voltar a ser selvagem como vim ao mundo, mas um pouquinho de emoção e surpresa ao andar no fio da navalha são bem-vindas. E nesse começo de mês surtei em uma manhã de domingo.

No meu momento pré-escola - folheando o jornal, vendo figuras e procurando palavras amigas -, entendi que rolaria uma promoção de passagens aéreas pela internet. Sem pensar muito quando nem o porquê, lá estava eu marcando para ir por Berlim e voltar por Copenhague. "Porque sim" e "infinito mais um" resumem o lado racional da minha decisão.

Bem assim mesmo. Surtei, comprei as passagens e depois avisei aqui na firma que tiro 9 dias de férias em março. E só agora começo a planejar a viagem. Amsterdã já está no roteiro.
Sugestões são bem-vindas. Alguém?

Monday, January 14, 2008

Alô, mamãe!

Depois de aparecer no principal jornal de Reykjavík fardado de coloradinho e em rede nacional no principal programa de variedades da Islândia usando gravata borboleta, minha glória enfim chega a terras tupiniquins. Nada constrangedor como uma participação no Fama ou no BBB, muito pelo contrário, quase um "Marilia Gabriela entrevista". A jornalista, uma mulher extremamente agradável, tornou esse momento "Alô, mamãe" bastante interessante. Sem mais delongas, senhoras e senhores, me voici.


Tuesday, January 8, 2008

Feliz Ano Novo, obrigado pelo velho

Essa foi uma mensagem que recebi de um amigo aqui de Reykjavík no dia 31 e resume bem o que sente a parcela não-psicopata da humanidade: vontade de andar pra frente. E mesmo que eu me considere um cara comprometido, chega uma hora em que é preciso largar as coisas de mão.

O ano passado incrivelmente não deixou aquele sentimento de algo inacabado, de algum desejo não atendido ou de algo a perseguir. Tudo andando nos conformes - nos meus conformes. E talvez por isso tenha passado super tranqüilo, sem as maquinações que angustiam o Pinky e o Cérebro. Em 2008 as coisas já começam tri bem e pretendo mantê-las assim com a filosofia do laissez-faire que adotei.

Ah, anunciaram hoje que no final de abril vai rolar a viagem do serviço. Vamos para Marrakesh em aviões fretados (saindo de Atlanta, Shanghai e Reykjavík), com direito a 5 dias em hotel 5 estrelas, passeios de balão e de Land Rover pelo deserto e festas em tendas de beduínos. Ótima surpresa, não? Até lá eu compro uma câmera e garanto o registro dessa aventura.

Seu Natalício

Final de ano, hora de curtir as festas com a família. Não foi exatamente o meu caso, mas aproveitei os 11 dias para descansar, ler bastante, arriscar um pouco como chef e ver alguns filmes. Foi bom também para despertar aquele espírito de Mussum que existe dentro de cada um de nós.

A ceia acabou sendo na firma mesmo, com um jantar especial oferecido a todos os estrangeiros (mas aberto a qualquer um que quisesse participar). Ali, junto com gente de metade do mundo, comi, bebi, contei piadas e dei muita risada. O presente já tinha ganho na semana anterior: um PlayStation 3, que tratei logo de trocar por um vale na loja. Não me entendam mal, só não vi um uso muito prático para o dito cujo. Acho que acabarei pegando um Wii e alguns apetrechos.

Mas voltando, foi uma noite super divertida e agradável - como tem que ser - que passei com uns amigos e muitos conhecidos do serviço. Seguindo a tradição não podia faltar uma lareira, e para completar ainda fui presenteado com neve. Veio tímida na noite do dia 24, só pra dar um gostinho, mas no dia 25 nevou direto, deixando a cidade inteira com aquela cara de Seu Natalício. Como a temperatura ficou por volta de -6° nessa semana (chegando até a -12°) demorou bastante a descongelar tudo. Pude então brincar bastante e tirar algumas fotos para dar uma palhinha do que foi o Natal no topo do mundo.

PS: As outras fotos são de um dia que resolvi cozinhar para as gurias e fazer um H e, como sempre, acabou em trago e bagunça.

Friday, December 28, 2007

Na Itália: o turismo rengo

Depois da choradeira e das dores da corrida era chegada a hora de descansar e passear. No mínimo, porém, seria mais uma tarefa árdua e agoniante. Explico.

Imaginem que minhas pernas ficaram duras e meus joelhos não funcionavam propriamente, que estava com os tornozelos inflamados e cansava ficar em pé. Ok, agora imagem um dia normal de um mochileiro. Caminhar horrores, subir e descer escadas, pegar metrô, comer em qualquer birosca, acordar cedo e etc. para poder ver uns prédios velhos.

Como tudo na vida, também existe um lado bom e um lado ruim em ser um andarilho solitário. Tive sorte em encontrar muita gente legal pelo caminho, como uns brasileiros parceiraços, uma africana com furor uterino, um casal de espanhóis e umas australianas mega barangas (mas tri queridas, como diria o Binho). Mas já decidi: na próxima viagem arrasto um(a) amigo(a) comigo.

Uma vez que não tenho uma câmera (mais porque não tenho saco e nunca me lembraria de ficar fotografando), nada de fotos. Fica na memória do véio. Além de Milão, onde consegui ver Milan X Celtic pela Champions League, conheci Veneza, Florença e Verona. Um tour meio básico pela Itália, mas bem legal. Quem sabe em um futuro próximo eu não me embrenho mais pela Velha Bota?

Na Itália: a maratona

Depois de um bom tempo planejando a maratona e a viagem, lá fui eu para Milão. Foram 5 meses treinando em condições muitas vezes longe das ideais que teriam que se pagar no dia da prova.

Faço agora um parêntese filosófico. Tenho tentado barrar essa faceta de "comportado e politicamente correto que planeja tudo na vida", o que trocando em miúdos seria dizer que no final me sinto uma pessoa previsível. Disso até dormir de meia social bege é um pulo, então estou adotando uma postura mais agressiva para voltar a ser selvagem como vim ao mundo. Minha memória de brasileiro me impede de aprofundar essa reflexão e de achar a origem disso, mas tenho feito avanços impressionantes.

Hummmm, do que eu falava mesmo? Sim, da Itália. Pois é, cheguei, me instalei e corri. Sendo bem econômico nas palavras, a impressão que fiquei de lá é de um Brasil piorado. Uma zona, um monte de paraíba malandro e o grosso da população - com algumas exceções - desconhece o inglês e o dialeto italiano usado nas novelas da Globo.

Durante a feira no check-in da maratona, enquanto passeava pelos stands e comprava algumas porcarias, pensei que poderia ser uma boa hora de ignorar os planos e fazer o que me desse na telha. Resolvi correr sem relógio, sem gel de carboidrato e sem casaco. Foda-se tudo! :)

De todas as escolhas erradas que uma pessoa pode fazer em uma maratona eu provavelmente consegui abraçar todas as mesmo tempo. Abandonar a estratégia de corrida na véspera não foi algo muito esperto, mas pouco importa. Também pouco importa que meu joelho esquerdo começou a doer no km 18 e foi um martírio até o final ou que não fechei nas 3h 30min que eu tinha imaginado. A chutada de balde compensou muito.

Foram 4h 4min, ainda abaixo do tempo do ano anterior em Buenos Aires apesar do joelho. Ignorei os italianos xingando os corredores durante o percurso (por sermos "responsáveis" pelas ruas bloqueadas e pelo trânsito parado) ou a sensação térmica perto de zero. Curti, como nunca. Para quem quiser dar um conferes há uns filmes bem legais no site da maratona. No menu à direita estão os pontos da prova e os respectivos vídeos. Ao clicar em cada um, também tem uma dica do momento em que eu apareço. Procurem por um negrinho de barba e regata branca com detalhes azuis (herança dos tempos de DCS). Se também virem um par de pernas dando sopa me avisem, que estou fazendo negócio.

Thursday, December 27, 2007

Festeguê de aniverságuio

Imagino que quem esteja lendo esse blog saiba que meu aniversário é em novembro e que completei 27 anos. Sim, 27. Putz, me senti na capa da gaita quando contei uma história do tempo que tinha 17. Agora é só descida.

Bueno, o fato é que as gurias aqui em Reykjavík resolveram fazer uma festa para o véio. Muito bom ganhar um bolo surpresa mesmo estando a alguns milhares de quilômetros de casa. Todos que escreveram ou ligaram também deixaram mais quentinho meu aniversário.

Claro, por fazer parte da turma da Miriam a data não iria passar despercebida. Muito pelo contrário, rolou um festeguê forte. Sem muitos comentários, porque todos sabem que o que acontece em Vegas fica em Vegas.

Algumas fotos foram liberadas pela diretoria para dar uma palhinha do que foi a correria.
A próxima do mesmo naipe vai rolar no final de janeiro, para comemorar a folia de Momo debaixo de neve. Promete.